SERTANEJO FOR EXPORT

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    Sendo assim, nada mais comum do que o sertanejo e outros gêneros populares penetrarem nos hábitos da classe média globalizada.
    Bossa nova, MPB e heavy metal, gêneros produzidos pela elite intelectual e econômica brasileira, hoje dividem espaço nas casas de shows e programações de rádios internacionais com uma produção pop legitimamente brasileira, que por aqui ganhou o polêmico nome de sertanejo universitário.
    É uma produção pós-regional, que já se conectou com o som global da música eletrônica, do rock e do pop mais dançante e hedonista.
    O que sobra das raízes é uma sanfona marcante, que talvez seja o diferencial para os ouvidos estrangeiros, principalmente em países anglo-saxões (já que no leste europeu, sobretudo na Romênia, pop com safona não é nada incomum).
    O crescimento exponencial do alcance da música foi fruto de uma estratégia comum entre os empresários musicais brasileiros: viralizar o clipe no YouTube e, se der sorte, fazê-lo cair no gosto de jogadores de futebol.
    No caso desse hit em questão, o início da disseminação aconteceu após o brasileiro Marcelo e o megastar Cristiano Ronaldo comemorarem um gol do Real Madri com a coreografia da música.
    A partir daí, toda a Europa foi atingida pela música, que figurou na lista de mais tocadas por todo o continente.
    Até mesmo os Estados Unidos, resistente à invasão cultural externa, viu o cantor sul-matogrossense entrar no Hot 100 das faixas pop mais tocadas no país.
    Na lista de músicas latinas mais executadas da revista Billboard (geralmente formada por canções mexicanas e caribenhas), Ai se eu te pego chegou ao topo.
    Quem mais se beneficiou da execução radiofônica depois de Michel Teló, foi Gusttavo Lima, que mantém Balada boa há meses na lista de músicas latinas mais tocadas nos Estados Unidos.
    Até mesmo nomes emergentes como o do jovem Leo Rodriguez, aparecem em paradas de países da Europa – no caso, graças ao êxito por lá de sua gravação Bará berê.
    Teve ótima comercialização em sua versão digital e tocou muito em rádios de 15 países, entre eles, França, Itália, Espanha e Portugal”, explica Leo Rodriguez sobre a música que também foi trabalhada no exterior por outros artistas brasileiros, como o DJ Alex Ferrari e, num segundo momento, Michel Teló.
    Esses resultados demonstram que o BPop (como o sertanejo tem sido chamado pelos jornalistas estrangeiros), pela primeira vez atingiu também fãs de outros países.
    Investir na criação de uma cadeia de contatos forte no exterior, montagem de escritório local para tocar a carreira internacional e negociações diferenciadas com contratantes estrangeiros (fechando shows pela metade do valor praticado no Brasil).
    Porém, se por aqui esses artistas ostentam shows grandiosos, com produção semelhante a de astros pop de alcance global, a realidade das apresentações no exterior é distinta.
    A lendária casa, que já sediou shows de Led Zeppelin, Cream, Deep Purple, Adele, Jimi Hendrix, The Killers e outras centenas de grandes nomes do pop mundial, recebeu pela primeira vez uma dupla sertaneja em seu palco.
    “Quando, meses atrás, Jorge & Mateus fizeram show no Brixton Academy, em Londres, indaguei aos dois, em tom de brincadeira: ‘Vamos gravar um DVD aqui?’ Eles responderam: ‘Só se for no Albert Hall”, contou Marcos Araújo, chefão da Audio Mix.
    Sucessos como Pode chorar, Traz ela de volta pra mim, Fogueira, O mundo é tão pequeno, Querendo te amar, Voa beija flor e De tanto te querer não ficaram de fora.
    O repertório deste DVD trará dez hits conhecidos (pinçados do registro feito na Flórida) e dez faixas inéditas, gravadas em São Paulo, em abril deste ano.
    REINVENÇÃO Apesar do domínio atual do mercado de shows, o sertanejo universitário passa por uma crise criativa e padronização nas produções e composições.
    Para ele, o sucesso efemêro, na maior parte das vezes, é uma prova de que a dupla/artista não reúne condições para se manter no mercado.

    Texto Retirado do Portal Sucesso